Cativeiro Cine Existencial |
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Sexta-feira, Janeiro 20, 2006
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Sobre um cara que morreu.
Há uns 3 meses, um cara chamado Marcos Lucinski, brasileiro, 32 anos e dono de uma empresa de normas de segurança que estava participando de uma feira de negócios na Alemanha, decidiu seguir para a França, com o objetivo de escalar o Mont Blanc, a montanha mais alta da europa, com 4.800 metros de altitude, onde mais de 7 mil homens já morreram. Ele foi sozinho e deixou apenas uns parentes avisados sobre seu passeio. Até hoje ele não apareceu. Já foi declarado morto, principalmente depois de uns 25 dias, após as buscas terem sido suspensas devido ao mal tempo. Oficialmente morto. Este texto não é de cunho jornalístico, mas sim espiritual. Nosso amigo morto tinha uma família, filhos, esposa e grana. E de repente ele precisou subir na montanha sozinho. Ele quis fazer isso. Todos sabem que para subir uma montanha dessas o cara tem que estar muito bem condicionado fisicamente, se não ele não suporta o ar rarefeito e cá entre nós, subir 4.800 metros não deve ser tão fácil quanto subir 500 degraus da igreja da Nossa Senhora da Penha todo ano pra receber graças divinas de algum santo bla bla bla. (com o pedido de desculpas embutido para os amigos católicos). Marcos foi e até hoje não voltou. Quando você faz isso, sabe que não vai voltar. E este texto é sobre isso. Quando falta algo na sua vida, você precisa procurar o que possa preencher esse vazio. Eu quero acreditar que nosso amigo conseguiu chegar ao topo pra depois morrer, ou que ele tenha morrido em paz, signifique isto o que possa significar. É uma pequena metáfora das nossas vidas. Existe um ponto de ruptura em que de algum jeito você sabe que não dá pra voltar atrás. Em termos práticos você pode, mas se fizer isso, de que terá valido o esforço? Não é o orgulho, não é o amor próprio, não é o instinto de morrer, é somente o curso das águas do rio. Existem coisas que acontecem e que você se pergunta o porquê e isso é uma grande perda de tempo, porque o tempo não conta pra trás. O caminho é só o que os seus olhos conseguem enxergar. É como o provérbio chinês (será chinês mesmo ou eu vi isso em algum filme?) que conta que o homem corria desesperado fugindo dos leões que o perseguiam e ele olhava para trás o tempo todo e a cada momento que ele olhava pra trás, ficava mais aliviado pois os Leões já estavam distantes e em certo momento ele percebe que um leão o aguarda lá na frente para devorá-lo e ele nada pode fazer pra se salvar... Então, porque olhar para trás? Você está fugindo de quê? Quando acaba, acaba. E todo fim traz um novo começo. E não estamos sempre recomeçando? Supondo que não exista vida após a morte, deveria me lamentar por algo? Oras, não creio... é divertido estar vivo sem saber o que vai me acontecer amanhã... vocês não sentem o mesmo? Como disse Gustavo Cerati: "O silêncio não é tempo perdido". Ao realizar as buscas no Mont Blanc pelo Brasileiro desaparecido 10 dias antes, os homens do resgate encontraram em uma caverna a seguinte mensagem: "Não se preocupem comigo. Está tudo bem. Tenho vivido coisas lindas e indescritíveis aqui. ass: Marcos Lucinski" Deve ter valido a pena. Sábado, Dezembro 31, 2005
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Felicidades nesta data tão importante!!!
Neste sábado, dia 31/12/2005, estaremos todos unidos em diferentes partes do Brasil e do mundo. Os povos irão se abraçar e a fé irá tomar conta de tudo e de todos, a alegria presente nos rostos de cada criança será o combustível para uma nova era cheia de harmonia e paz. Todos estaremos renovando nossa fé, jogando plantas no mar só para tornar o dia seguinte dos catadores de lixo mais medíocre do que ele sempre foi, estaremos agradecendo as bençãos recebidas no ano de 2005, as traições, as mentiras, as crueldades, tudo isso fica em segundo plano, tudo fica esquecido... O que importa é que quando o relógio marcar 00:00 e você estiver lá vestido de branco ou azul, ou rosa, ou verde, ou vermelho ou um preto básico, abraçado com seus familiares tão queridos, tomando champagne ou Caninha 51, ouvindo os fogos de artifício, enfim, quando o relógio realmente marcar 00:00 neste dia de tanta expectativa, será domiiiiiiiiiinnnnnnnnnnnngggggoooooooooooo !!!!!! Feliz Domingo para você e sua família. São os votos do Cativeiro Cine Existencial para que toda a festa e união não tenham sido em vão. :-) Sexta-feira, Dezembro 23, 2005
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Qual é o propósito do coelho na natureza?
Uma médica veterinária foi agredida por uma cliente, na tarde desta sexta-feira, por quase três horas dentro de um apartamento no Jardim Botânico . A mulher foi trancada num quarto do apartamento, teve as mãos amarradas e foi agredida fisicamente e verbalmente. A agressão foi cometida pela dona de um coelho, que foi tratado pela médica há uma semana. A veterinária ministrou um medicamento no coelho, mas a dona do animal ficou furiosa quando descobriu que havia uma substância tóxica no medicamento. A dona do animal, que mora na Barra da Tijuca, planejou a armadilha e atraiu a veterinária para o apartamento no Jardim Botânico. Além da agressão, a veterinária foi obrigada a beber o remédio que tinha indicado para o coelho. Teoria 1 - Eu penso que talvez o coelho em questão seja um demônio que se apossou de sua dona para se vingar da veterinária. Teoria 2 - O coelho é o Frank do filme Donnie Darko, e a mulher em questão está apenas fazendo algo necessário para que o mundo não acabe. Teoria 3 - A dona do coelho é psicótica. Teoria 4 - O coelho é psicótico e pediu a dona para cometer o crime. Teoria 5 - O coelho e a dona mantém uma relação de incesto/zoofilia. Coelhos não fazem muito sentido. Eu tenho medo de coelhos. Eles não fazem barulhos, não reclamam, não latem, não miam, não abrem a boca e me parece que tem dentes perfeitos. Percebem algo realmente estranho nisso tudo? O que os coelhos fazem quando seus donos estão dormindo? O que eles fazem quando não tem ninguém perto deles? Coelhos perseguem ratos? Matam cobras? Comem aranhas? O que essas porras de animais cretinos fazem de útil para uma natureza mais equilibrada?!! OBS: todo coelho é cínico. Eles sempre fazem cara de vítima. Eles sempre são vítimas. Sempre. Segunda-feira, Dezembro 19, 2005
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Lava-Jato para discos voadores
![]() Eu acredito nos gênios. Bob foi um deles. Sua música é real, você pode quase tocá-la e isso é uma coisa que não é tão comum. Por isso talvez, seja uma obrigação homenageá-lo de alguma forma aqui. "Like a rolling stone" foi eleita a melhor canção de todos os tempos e isso sim é um bom motivo para colocá-la aqui. Não bastasse a importância intelectual e musical desse cara pra música, eu o faço porque me sinto em paz quando escuto as coisas que ele tem a dizer. Like a Rolling Stone é um estado de espírito transitório, eu tenho certeza, porque se fosse eterno, seria difícil de viver. Lógico que um dia irá passar, quando já estivermos cansados e tal, mas espero que não seja esquecida nunca. Faz parte do amadurecimento de cada pessoa. Se um dia eu virar político, vou obrigar os estudantes do ensino médio de todas as escolas a ouvir essa música todos os dias de manhã, antes de começarem as aulas. Hinos de colégio? Pro inferno! Hinos patrióticos? Pra puta que o pariu! O hino é este! É o som do mundo real, o som dos sofredores, dos batalhadores, dos curiosos, dos mentirosos, dos arrependidos, dos ignorados, dos pobres, dos que já tiveram algo, dos que já perderam algo, de todos, quase todos. Era uma vez, você se vestia tão bem. Jogava esmola aos mendigos em seu auge, não foi? As pessoas chamavam, dizendo ¿Cuidado boneca, você está pedindo pra cair¿. Você achou que todos eles estavam brincando com você você costumava rir de todo mundo que ficava vadiando ao redor, e agora você não fala tão alto, agora você não parece tão orgulhosa, de estar tendo que vasculhar pela sua próxima refeição... Como se sente? Como se sente? Por estar sem um lar?Como uma completa estranha? Como uma pedra rolando... Você freqüentou a melhor escola, muito bem, senhorita solitária, mas você sabe que você apenas ficava enchendo a cara lá, e ninguém jamais lhe ensinou como viver nas ruas, e agora você descobre que você vai ter que se acostumar com isso... você dizia que jamais condescenderia com o vagabundo misterioso, mas agora você percebe que ele não está vendendo álibis, enquanto você olha fixamente para o vácuo de seus olhos, e o pergunta, você quer fazer um trato? Como se sente? Como se sente? Estando por sua conta, sem nenhuma direção para casa Como uma completa estranha, como uma pedra rolando... Você nunca se virou para ver as carrancas dos equilibristas e dos palhaços enquanto todos eles chegavam e faziam truques para você... você jamais entendeu que isso não é bom, você não deveria deixar as outras pessoas se divertirem no seu lugar. você antigamente cavalgava o cavalo cromado com seu diplomata que carregava em seu ombro um gato siamês... não é difícil quando você descobre que ele realmente não era tudo que aparentava ser depois que ele levou de você tudo que podia roubar? Princesa no campanário e todas as pessoas bonitas estão todas bebendo e pensando que estão por cima trocando presentes caros e coisas, mas é melhor você surrupiar o seu anel de brilhante, é melhor você penhora-lo, gata... você antigamente era tão entretida com o Napoleão de trapos e a linguagem que ele usava, vá para ele agora, ele te chama, você não pode recusar... quando você não tem nada, você não tem nada a perder... você está invisível agora Você não tem mais segredos a ocultar... Como se sente? Como se sente? Estando por sua conta, sem nenhuma direção para casa, como uma completa estranha, como uma pedra rolando... É isso. Bom, tenho que ir... Preciso abrir o meu lava-jato de discos voadores, um negócio patentiado por mim mesmo, que me fará milionário. A Nasa e a CIA já estão abrindo negócios semelhantes, mas eles levam pequena vantagem porque o deles é anexo a estação espacial internacional. É um ponto melhor que o meu... Quarta-feira, Dezembro 14, 2005
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Precisamos de uma redenção.
Eu não sei se eu estaria aqui, hoje, dizendo essas coisas, se tudo tivesse corrido as mil maravilhas. Nós temos uma tendência a nos acomodar com as coisas quando a vida coloca quaisquer mediocridades pra gente provar, que satisfaçam momentaneamente o nosso desejo de buscar dias mais bacanas. Também não posso deixar de citar, ao introduzir este post, que as temperaturas estão estranhas ultimamente. Em outros anos estaríamos com 50 graus e sol intenso, mas hoje está nublado e eu já me peguei espirrando umas 5 vezes desde que acordei, então posso presumir que as coisas estão saindo dos trilhos, que o que era esperado virou memória. Este blog já teve mil e uma utilidades antes e foi muito legal constatar que algumas pessoas conseguiram enxergar alguma coisa aqui, muito embora até hoje eu ache tudo isso uma grande perda de tempo. Nem sei porque eu mesmo gasto palavras nisto. Poderia estar gastando meu tempo com filmes ou passeios a luz do dia em parques ou passeios à luz das trevas em shoppings nefastos, mas não tô, e o que em outros tempos seriam programões pra mim, hoje não passam de demonstrações da barbaridade que as nossas vidas se tornaram. Como já disse antes, haveriam mil motivos pra eu não estar escrevendo nada neste blog hoje, pois quando a gente tem o mínimo de futilidades a nossa disposição, tende a sentar a bunda na cadeira e ver o dia passar do lado de fora, e isso quando as cortinas não estão fechadas. Tudo bem, somos seres estranhos. Deus nos fez com bizarrices que ninguém pode explicar. Temos a tal "pulsão de morte", ou seja, buscamos a todo custo a morte ao invés da vida. Isso era dito pelo Freud se não me engano. Ele falava disso nos primeiros ensaios dele, e só para constar, Freud foi um dos maiores gênios que já existiram. Você pode até não ser chegado em psicanálise, mas não dá pra discordar que ela é totalmente fascinante. Haveriam também, mil motivos pra eu estar aqui descendo o pau em Deus e tudo que o valha e vêm dele, mas se eu fizesse isso, não acredito que chegaria a algum lugar, porque nós nem sabemos se Deus realmente existe, e por mais que eu tenha a minha religião e ande sempre amparado pelos ensinamentos de Chico Xavier, eu não devo me permitir concessões. Somos 3 bilhões de religiões, ou seja, não somos nenhuma. E provavelmente são essas coisas que nos afastam, que nos fazem lutar por coisas inúteis, que não alimentam o corpo e nem a alma. Só deixam um rastro de ódio e dor por onde passam. Depois de 23 anos, me vi diante de uma grande questão tirada de minha própria cabeça. Uma pergunta simples, mas a mais difícil que eu já tive que responder, e que provavelmente respondi errado. "Por que não podemos fazer as coisas certas, divinas, lógicas e belas em detrimento de relaçoes mais justas e saudáveis?". Os motivos que me levaram a este questionamento são inúteis por ora, e não quero abordá-los. Não teria o direito de cuspir frustrações pessoais na cara de ninguém. E muito menos pela internet, onde as pessoas só querem relaxar e descobrir novos caminhos, novas soluções pros mesmos problemas, antigos problemas. Essa pergunta parece tão estúpida quanto uma redação feita por uma criança de 8 anos de idade no dia do índio, porém se nós tivermos a capacidade de refletir por alguns instantes sobre as nossas próprias vidas, iremos encontrar alguma situação em que essa pergunte acaba se tornando uma coisa pertinente, necessária. Simplesmente porque parece que fechamos os olhos pras diferenças que as pessoas tem umas das outras, das necessidades que cada um nutre em seu íntimo, para os defeitos e qualidades que todos temos. Se somos tão diferentes uns dos outros, então porque usamos pesos e medidas iguais? A questão que eu quero abordar é: Pelo que estamos lutando? Quais são os nosso objetivos? Qual é a nossa luta? Qual é a nossa luta?! É claro que é um pensamento existencialista ao extremo, mas eu só tô usando esse blog pra trazer ele pra discussão porque o natal está chegando e no entanto eu pude notar que muitas pessoas não estão dando a mínima, e por mais que exista algum tipo de dor em alguns lares, de trauma, de rachadura moral ou mesmo espiritual, não deveríamos estar caminhando rumo a coisas melhores? Qual é o benefício que existe em se focar nas coisas materiais? Você quer um carro novo, um computador novo, uma roupa de grife nova, uma mulher nova, uma família nova e no final das contas ainda não percebeu que na verdade você não quer nada disso. O que você quer é uma vida nova. E você quer uma vida nova porque você está cansado dessa vida. Você está cansado de sempre ver as mesmas coisas acontecendo, de ver o erro e repeti-lo, ainda que não tenha tido tal intenção. Você está cansado do comportamento que as grandes corporações tentam te vender, dessa cultura de "coma os restos, coma as migalhas", de ter que aceitar a mesma rotina sempre em troca de absolutamente nada que não seja alimento físico. Pois infelizmente, o alimento que nos faz falta de verdade, é da alma. Estamos o tempo todo nos agredindo mutuamente, buscando saídas fáceis pra problemas que sempre tivemos, julgando as pessoas à revelia, e aceitando as porradas com a dignidade morta. Nossos pensamentos são cada vez mais egoístas mas até aí não é novidade pra ninguém, certo? Se você faz por si, sorte a sua, é o que dizem. Depois de pensar um bocado eu simplesmente acho que nós somos sim responsáveis pelas nossas vidas, mas de certo modo também somos pela vida dos outros, e eles também são pelas nossas. Acreditar em uma vida de isolamento é estupidez, pois ninguém suportaria isso por muito tempo. A questão toda é que somos seres sonhadores e ninguém pode nos tirar isso. Se temos esperança, precisamos mantê-la. E se alguém um dia duvidar da sua capacidade de manter a esperança intacta apesar de todas as porradas, é porque essa pessoa já perdeu a dela. E não vai significar jamais que foi o fim. Nem pra ela e muito menos pra você. A nossa redenção parte necessariamente de uma reflexão serena de nossas vidas, das coisas que nós fizemos por nós, pelos outros, contra nós e contra os outros. Transformar flores em armas na vida dos outros é um crime contra nossas vidas. Porque em algum momento nós seremos alcançados. E eu gostaria muito de ser alcançado por coisas boas, justificadas por atitudes dignas da minha parte e não receber de retorno apenas o que sobra das pessoas, em sua busca desesperada por um caminho mais curto rumo ao inferno. Este não é um texto estilo "faça a sua parte por um mundo melhor". Vamos deixar isto para os artistas roedores ou os sanguessugas da mídia. É apenas uma mensagem de fim de ano para quem ainda está a procura de um bom motivo pra rever alguns conceitos, para quem não quer ficar sozinho. Este é um texto para ser compartilhado! Domingo, Setembro 25, 2005
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O grande dia do garoto Chewbacca
Ele era um garoto de 13 anos. Não tinha nome pois não interessa a este escritor dar um nome a um garoto estranho de 13 anos. Ele queria se chamar Mike, mas não foi esse o nome que lhe foi dado. Sua vida era um lixo. Ele fedia. Ela também. Seus amigos eram bonitos, espertos, e tinham namoradas com bundinhas empinadas e seios fartos, próprios de meninas no início de seu desenvolvimento biológico dos anos 90. O garoto era triste. Ser estranho não era o suficiente. E ele fedia. Fedia mesmo. E fedia a cocô de gato, muito embora não tivesse um gato em sua casa. Esse fedô nunca viria a ser explicado pela ciência. Havia algo em suas manhãs que o diferenciava dos outros garotos. Ele acordava e pegava uma escova de dentes embaixo da cama e escovava os dentes no total escuro, embaixo de seu edredon vagabundo, presente de natal de quando ele tinha 4 anos de idade. Um edredon de aviões caça Mirage. O frescor de escovar os dentes embaixo do cobertor lhe fazia bem, pois a noite toda ele sentia calor. Em sua casa não havia ventilador. Seu padrasto dizia que pelo fato de haver uma ligação clandestina de luz em sua casa, qualquer eletrodoméstico levaria a companhia de energia a suspeitar do uso indevido de luz ali naquele lugar, escondido no meio de uma cidade cinza, suja. Seu padrasto era pedófilo, mas não sabia disso ainda. Somente 15 anos depois, ao levar seis tiros na cabeça de um vizinho por abusar sexualmente de sua filhinha de 5 anos de idade, ele descobriria. Mas o garoto nunca havia sido estuprado ou coisa do gênero. Noites quentes e dias frios. O sol de 35 graus jamais lhe daria calor. Por isso ele usava um casaco de lã todos os dias, e transpiradava como um porco nojento na escola. Todos lhe diziam que ele fedia, mas ele sentia frio. O que diabos poderia fazer? Após escovar os dentes, religiosamente o garoto ia em seu velho baú de plástico azul, presente de um tio comerciante já falecido, e pegava uma barba postiça enorme, marrom, e a usava em frente ao espelho. Aqueles 20 minutos diários de auto-desejo em frente ao espelho mantinham o garoto em paz. A barba representava algo que ele não sabia dizer o que era. Ele não fazia a menor idéia de quem era. E ele fedia. Sua paixão era uma menina chamada Alice, 17 anos e muito alta, talvez um metro e oitenta. Alice era magra como uma modelo de passarela made in Sudão. Ela nunca havia ido a praia, mas passara toda a sua adolescência nadando, obrigada por seus pais. Lhe abasteceram com anabolizantes e remédios para desenvolvimento acelerado dos ossos, idealizando uma atleta perfeita, mas nada disso resultou em uma atleta olímpica ou coisa do gênero. Alice havia se tornado uma bizarra mistura de Olívia Palito com Vampira. Ela já não dormia há muito tempo. Alguns diziam que ela dormia uma noite a cada seis meses. Outros diziam que as olheiras profundas e tristes eram ressaltadas com maquiagem todos os dias. Alice não fedia, mas dava muito medo. Ela não tinha amigas e isso havia feito com que o garoto se apaixonasse por ela. E eles nunca trocariam uma palavra em toda sua vida. O garoto precisava de auto-afirmação. As constantes críticas sofridas nos últimos anos haviam feito muito mal a ele. Como alguém naquele estado, com aquele cheiro, aquele comportamento, poderia ter amigos e causar interesse nas pessoas? O garoto mal sabia o que essa fase terrível causaria ao seu futuro sexual, ao se descobrir homossexual aos 30 anos, velho demais para fazer planos e novo demais para sofrer. Um dia, na aula de educação física, o garoto é selecionado para jogar em um dos times de Handball, contra a vontade de todos, inclusive do professor, que segundo diziam as más línguas, fazia questão de tomar banho pelado junto dos alunos para observar seus corpos, de meninos, ainda em formação. O garoto era a peça que faltava em um dos times, já que naquele dia muitos alunos haviam faltado por conta da forte chuva que caía na cidade. Sempre habituado a ler gibis a beira da quadra, isolado, ele fora pego de surpresa e obrigado a ficar no gol, com a impossível missão de defender boladas à queima roupa, com a bola molhada. E por que diabos o Goleiro dos times de Handball não usa capacete e máscara protetora? Não seria uma tarde fácil para ele. Observado por todas as menininhas da turma, torcendo pelos garotos populares, o garoto faria uma exibição um tanto milagrosa. Levando 7 pesadas boladas no rosto e salvando seu time de levar um único gol sequer, ele se tornaria o algoz dos atletas ávidos por aplausos femininos, e estas, em silêncio, apenas observariam aquela tarde de defesas involuntárias de um jovem estranho, parado como um poste, no meio do gol daquela escola particular medíocre de subúrbio. Ao defender sem intenção a oitava tentativa de gol dos adversários, o garoto se choca com o garoto mais popular da turma, Sílvio, considerado pelas meninas o mais bonito da escola e reconhecido como o único que conseguira alcançar a incrível marca de ficar com 12 garotas em uma mesma noite. Ao se chocar, o garoto fedorento, nosso personagem principal, sente seu estômago mexer e a comida do almoço revirar de um lado pro outro, provocando um jato de vômito violento, que atinge Sílvio no rosto enquanto este grita com o professor para marcar o pênalti a favor de seu time. Após engolir vômito do garoto estranho, Sílvio sente seu estômago revirar e pensa por um momento que vomitar é uma das piores coisas que poderiam lhe acontecer naquele momento. Talvez ele soubesse que isto iria acontecer. Sílvio vomitaria durante 17 minutos seguidos, na quadra, na frente de todas as meninas, causando nojo e vergonha em seus amigos. Naquele dia, duas pessoas teriam sensações diferentes, mas que jamais seriam esquecidas: Alice, do lado de fora da quadra, isolada de tudo e de todos, daria um sorriso de canto ao ver tal cena, ao ver todas aquelas meninas cheias de fogo pré-adolescente enojadas do garoto mais bonito da escola. E por fim, o garoto estranho, vilão de toda uma turma de futuros maníaco depressivos, pais separados, gerentes de banco, esposas de homens cretinos, fanáticos por igrejas de mentira, funcionários públicos e donos de lojas de shoppings vagabundos de subúrbio. Aquele jato de vômito seria o começo do fim de uma fase muito estranha e o início tenebroso de uma vida mórbida, sem fim. Nas semanas que se seguiriam ao evento, todas as turmas, de todos os turnos, ficariam sabendo do ocorrido. Sílvio, o garoto vomitado, entraria em depressão, emagreceria 10 quilos em 15 dias, e morreria logo em seguida, vítima de uma infecção generalizada, comovendo toda a escola, traumatizando a todos, e elevando a índices altíssimos o ódio de todos contra o garoto do vômito, o algoz. O diretor Peixoto, um quarentão incompetente, o chamaria para uma conversa e lhe daria duas alternativas: sair da escola ou ficar e ser repudiado por tudo e todos, sempre. Um pobre jovem de 13 anos ficaria lastimado com tal acontecimento, mas ele não. Ao franzir a testa e dizer um simples ¿sim¿ para o diretor, ele daria fim aquele regime de ódio e insensatez. E não precisaria mais lidar com um corpo docente tão podre quanto aquele. Ele sabia que não poderia se matricular em outra escola naquele mês de setembro, portanto seu ano letivo estaria perdido. Mas ele nem ligava. Ao comunicar seu pai do ocorrido, o garoto não moveria um único músculo do rosto. Seu padrasto, após alguns xingamentos, lhe diria para não comer muito enquanto estivesse em casa. Nosso pequeno garoto passaria os três meses seguintes trancado num cubículo de 2 x 2 com seu cachorro viralata, carinhosamente batizado de ¿Lingüiça¿ e uma tv de 14 polegadas. Naqueles dias sombrios, ele assistiria ao filme Star Wars umas 300 vezes, sempre vidrado em seu personagem favorito, Chewbacca, o peludo personagem criado por George Lucas, que lhe faria querer ser um Wookie durante toda a sua juventude. Alguma coisa naqueles pêlos hollywoodianos lhe faziam ter esperança de um dia poder ser como Chewbacca, estranho, porém pertencendo a algum povo, algum lugar. O Garoto só queria ter tido a oportunidade de fazer parte de algo. Não seria essa a necessidade de todos? Alguns dias demorariam tanto a passar, que a única maneira de sobreviver a eles seria usar a barba postiça e dar a si mesmo alguns minutos de prazer em seu dia. Tardiamente o garoto estranho descobriria a masturbação, com quase 14 anos. O estranho nisso tudo é que ele fazia o ato patético de frente para o espelho, usando a barba. E ele continuava fedendo. No angustiante mês de Dezembro, quando todos se preparavam para viver seus natais com alegria, fingindo um amor que duraria apenas algumas horas daquele dia 25, tradicional, o garoto receberia uma carta e uma caixa. Na carta a seguinte mensagem: ¿Você quer a sua vingança? Eu quero a minha. Eu jamais serei perdoada, mas precisei fazer. Não tenha medo de nada. Eu sempre vou ser como você. Parte de algo que jamais vai existir. Nós jamais iremos existir. Vá a festa. E entregue o que está na caixa para todos. Por favor, vá a festa. Ela é sua. Alice¿ Ao abrir a caixa o garoto encontra uma cabeça. A cabeça da garota mais popular do colégio. Era a cabeça da garota mais gostosa do colégio. O garoto lamentaria por um momento. A garota era gostosa demais para acabar assim, morta. Seu corpo era extremamente promissor, e seu caráter duvidoso era a garantia de uma mulher gostosa e fácil para os homens no futuro. O garoto realmente não conseguia entender aquilo. Alice não deveria ter feito aquilo. Nosso pobre rapaz daria qualquer coisa para saber onde estaria enterrado o corpo sem cabeça da cabeça de sem corpo que ele tinha em suas mãos. A festa seria a coroação de um ano medíocre para aqueles alunos do colégio medíocre do subúrbio. Uma festa com entrada não permitida para pais e responsáveis. Por que não dançar e beijar a vontade as vesperas do natal? Naquela tarde o garoto ficaria 3 horas de frente para o espelho e vestiria seu uniforme de guerra, especialmente confeccionado para aquela data especial. A carta recebida de Alice, modelo made in Sudão, no dia anterior lhe abrira os olhos. Como poderia perder aquela festa, afinal todos estariam lá para ver o presente enviado por Alice. E mais, todos descobririam o lado mais sujo e escuro do garoto algoz. Seu uniforme não era camuflado. Não era caro. Não era feio e nem bonito. Mas tinha muitos pêlos. Muitos pêlos. Antes de sair de casa, o garoto decidiria ligar a tv no noticiário local. Alice era a notícia. A polícia havia encontrado seu corpo caído no meio de sua casa, com um tiro suicida na cabeça. Mais precisamente na nuca. Até nisso a garota era detalhista. Para não deixar de lado a exploração da insanidade e do sensacionalismo barato, o noticiário ainda mostraria o pequeno cemitério encontrado nos fundos de sua casa, ao lado da pequena horta de sua mãe. Ossadas de cães, gatos, pássaros e bonecas Barbie estariam entre as vítimas. As 20:00, todos os adolescentes estão dançando ao som de Steve B e outras coisas pop da época. Empolgados e felizes com aquele dia de liberdade total. E como em toda festa de jovens de um país de terceiro mundo não poderia faltar alguma cópia de alguma tradição americana, a coroação do Rei e da Rainha do baile seria naquele momento, no palco especialmente montado para um DJ suburbano de 22 anos tocar os maiores sucessos da música trash americanizada suburbana dos anos 90 sem interrupções. Então ao subir no palco para anunciar o rei e a rainha, o jovem representante de turma e presidente do grêmio do colégio Euclídes, pede para que todos abram espaço, formando um corredor que leve até a escada que dá pro palco. E os ávidos adolescentes cheios de ansiedade assim o fazem, porque naquele momento eles poderiam se sentir menos brasileiros e mais sessão da tarde do que jamais haviam sido em toda suas patéticas vidas. E não seria naquela noite que o rei e a rainha seriam anunciados, pois causando tremenda surpresa e silenciando a todos, surge do fundo do imenso galpão um ser muito estranho, vindo de outro mundo, quase um monstro, caminhando a passos lentos e medidos em direção ao palco, como se fosse aquele o seu grande momento. Era o garoto, o garoto Chewbacca, em seu uniforme peludo e triste, feito com algumas porcarias compradas numa papelaria no mesmo dia. Alice estaria orgulhosa, de onde estivesse. Alguns jovens começariam a rir de tal criatura, enquanto ela se dirigia ao palco, pensando se tratar de alguma brincadeira, alguma piada. O garoto Chewbacca teve a atenção de 500 jovens naquela noite de dezembro quando subiu ao palco sem ser convidado, e sem tirar a máscara, pegaria a cabeça da menina mais gostosa do colégio e a ergueria para o alto, como um troféu, causando pavor generalizado, externado das mais diversas maneiras, gritos histéricos, frases com a palavra ¿Deus¿, e silêncio, muito silêncio. No final de tudo, ao tirar sua máscara de Chewbacca, ele ficaria vendo o sangue escorrer da pobre cabeça da menina, separada violentamente de seu corpo no dia anterior por uma colega de classe, insatisfeita com uma fofoca sobre seu cheiro. O garoto Chewbacca não sabia disso, mas ele fazia falta. E na falta de uma figura nojenta, elegeram a mais feia como fedorenta. Não é isso que se faz por aí? Em câmera lenta alguns policiais se aproximariam do garoto Chewbacca e o levariam para um camburão de polícia, enquadrando-o como cúmplice de Alice na morte da pobre menina gostosa sem cabeça. 4 anos mais tarde, após sair de um manicômio no interior do estado, o garoto Chewbacca enriqueceria ao assinar um contrato com a frabricante da boneca ¿Sapeka esquiadora¿, rival da linha de bonecas Barbie na época. Na propaganda veiculada uma única vez em rede nacional no horário nobre e posteriormente proibida pela justiça, o garoto Chewbacca apareceria com uma Barbie sem cabeça em suas mãos e diria a frase: - Boneca Sapeka, esquiadora, a boneca com atitude! Domingo, Agosto 14, 2005
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A sala é minúscula, quase um cubículo. ELISA, 23, está sentada a mesa, trajando uma roupa branca, própria dos loucos. Ela é muito magra, com cabelos feios e sem brilho. Seus olhos são tristes, e ela apenas olha para o nada. Enquanto Elisa se mantém quase catatônica, alguém se aproxima dela, por suas costas. É MARVIN, 24, um rapaz de aparência derrotada, extremamente mal cuidado. Ele se aproxima lentamente, como se tomasse cuidado para não fazer barulho. (murmurando) Elisa! Sou eu, Marvin... Elisa fica imóvel. Ela continua com o olhar perdido. eu sei que parece loucura, mas tudo isso tinha uma razão de ser... eu tive de sumir! Se eles descobrirem que eu estou vivo, nós dois estaremos perdidos! (ainda olhando para o nada) eu gostava... de você... ainda sou eu! Você precisa entender que eu ia fazer, mas desisti! Eu ainda tô vivo! Entenda... (virando-se fria e bruscamente para Marvin) você morreu! Marvin fica desolado e sem palavras. O olhar de Elisa nunca lhe deixara com tanto medo. 2 INT SALA DO CASEBRE DE MARVIN NOITE 2 Elisa, com a aparência mais esquelética do que nunca, está sentada no sofá da sala, que na verdade não passa de um monte de almofadas sujas e velhas. Ela está com os olhos vermelhos, marejados. Marvin surge a sua frente com certo entusiasmo. Ele traz consigo um quadro, sem revelar o que nele está pintado. Acabei o último da série. Eu completei minha obra. (fitando-o com seriedade) que bom... Você quer ver? Mostre. Marvin revela o quadro para Elisa. Trata-se de uma simples obra, feita com um tom de cinza triste e vazio. O desenho é o de um SMILE desanimado, cansado do mundo, um quadro que os mais ignorantes diriam se tratar de uma obra feita por uma criança de 5 anos de idade, exceto pela especificidade na fisionomia do personagem. (chorando de leve, denotando um certo desespero contido) Este é o mais triste de todos. Marvin vira o quadro para si e fica observando com certa curiosidade sua recente obra. eu preciso conversar sobre uma coisa... (contendo o choro) eu acho que estou sendo seguida por uns caras de preto, armados. Eles querem me matar. Sim, eles querem. Você já tomou seu remédio hoje? não! Você não entende! É sobre isso! (pausadamente) Marvin, eu descobri uma fórmula pra bulimia Acelerada. Eu acho que isso poderia destruir As indústrias alimentícias... Imegine todas as pessoas do mundo comendo pela metade... eu sei que eles estão me perseguindo por isso... só pode ser isso... Elisa, não existe conspiração alimentícia Nenhuma contra você... Marvin tem pena de Elisa. Em seus olhos podemos ver sua impotência perante a loucura de sua namorada. Ele a observa com certo desprezo, e eles definivamente não são o casal mais normal do mundo. Elisa, com sua aparência esquizofrênica, fica apenas acenando positivamente com a cabeça, cerrando e abrindo os olhos. Ela está fora de qualquer estado normal. e tem outra coisa Marvin. Você. Eu não posso ficar mais com você. Eles estão me perseguindo e eu não sei como você poderia me proteger... Marvin tenta se aproximar de Elisa mas ela não deixa. Elisa, eu sempre vou proteger você... Não! Você não tem dinheiro! Você é um derrotado! Você e esses malditos quadros! Quem quer ver um Bando de Smiles tristes?! Eu não aguento mais! Isso me ofendeu. e tem mais! Quando eu disse que tinha visto um Disco voador, você riu de mim! E agora eu aposto Que você acha que eu estou louca! Eu não sou louca! Eu tô sendo perseguida por um grupo de mercenários, Ou coisa do gênero! E você, a única pessoa que eu Tenho no mundo, só quer pensar em pintar quadros De bonecos... estranhos! Elisa, visivelmente transtornada, se levanta e vai embora. Ela bate a porta ao sair. Marvin, apenas se senta no sofá e fica pensando, olhando pro seu quadro. De repente um cachorro se aproxima dele, um viralata muito feio, MONET, 4. Monet pára de frente pra Marvin e olha para seu dono com desprezo, o mesmo que Elisa acabara de lhe dar. Monet se vira e vai embora de casa também, deixando Marvin sozinho. 3 INT SALA DO CASEBRE DE MARVIN DIA 3 Marvin está de frente para seu sofá e agora todos os 12 quadros de sua série de SMILES tristes estão dispostos lado a lado. A grande verdade é que somente um olhar muito apurado conseguiria distinguir a tristeza dos Smiles dos diferentes quadros. Marvin, sério, mas ainda com sua velha fisionomia derrotada, deixa uma carta encostada em um dos quadros. Ele fecha os olhos por um instante e vai embora, deixando para trás seu legado artístico, de gosto duvidoso. 4 EXT TERRAÇO DE UM EDIFÍCIO DIA 4 Marvin está parado no alto de um edifício qualquer. Ele está próximo da beira do prédio, que é bastante alto. Dali vê-se com rara beleza o espetáculo dos edifícios antigos daquela região da cidade. Marvin está mal, muito mal. Se ele queria parecer um suicida em potencial, conseguiu com todos os méritos. Ele se aproxima da borda do edifício, mas antes que de pular, ele percebe alguém caído alguns metros ao seu lado. Marvin desiste de pular por um momento e se aproxima do rapaz caído no chão. Ele fica chocado com o que vê. Um rapaz jovem, bonito, com claros sinais de uso de drogas injetáveis, marcas em seus braços e aparatos para injetar quaisquer tipos de substâncias em seu corpo. Marvin pensa em tocar no rapaz, mas ele está imóvel. Marvin não sabe ao certo como identificar se alguém está morto, então ele aproxima seu ouvido do peito do rapaz e constata que ele não está vivo. Marvin toca em seu braço e percebe seu corpo gelado. Mas o que mais o deixa intrigado é que o rapaz morto é parecido com ele, muito parecido. E mesmo sendo um cadáver, é mais bonito e mais bem apresentável que Marvin. Marvin pega sua carteira no bolso e tira de dentro dela sua identidade. Ele a coloca ao lado do rosto do rapaz morto e a semelhança entre os dois é quase inacreditável. Neste momento podemos ver Marvin concatenando pensamentos novos, de um tipo pouco comum para alguém como ele. 5 EXT TERRAÇO DE UM EDIFÍCIO DIA 5 Marvin está de pé, carregando o corpo do rapaz em seus braços, se aproximando cada vez mais da borda do edifício. Marvin solta o corpo do morto e este segue em queda livre, para se espatifar no chão, algumas dezenas de andares abaixo. Certamente aquela foi a sensação mais estranha que Marvin já sentiu em sua vida. Não é todo dia que um morto é assassinado. Marvin sente o vento gelado bater em seu rosto. Ele então sai correndo em direção as escadas, como uma criança que sabe que acabou de fazer uma grande besteira. 6 INT SALA NO MANICÔMIO NOITE 6 Elisa e Marvin estão sentados frente a frente na mesa, como antes. Ela, mais confusa do que nunca e ele, angustiado. você deixou um bilhete... Uma carta de suicídio. E você destruiu a minha vida... Não Elisa! Eu não morri! Eu troquei minha Identidade com o cara lá no alto, ele era Igual a mim... (totalmente confusa e transtornada) Lá em cima? Por que você voltou? Voltei de onde? (cheia de convicção) você morreu Marvin... e eu sei que você não sabe que morreu... mas logo que você morreu, a imprensa noticiou e aquele cara da galeria veio pedir os seus quadros e vendeu por milhões e quando ele colocou todo aquele dinheiro na minha conta, a única coisa que eu pude lembrar era que eu gostava de você. (revoltada) E você morreu cara! Você morreu! Elisa, elisa... se você não acreditar em mim, eles Vão ficar com todo o dinheiro... e você vai ficar Presa aqui, sozinha, e eles vão te declarar maluca! Eu só fiz aquilo tudo por desespero! (divagando) Eu ia me matar, mas desisti quando vi aquele cara que era uma espécie de eu, só que morto... (tentando consolar Marvin) amor, acabou... por que você fez aquilo? Eu não morri... eu juro que não... Marvin, eu quero que você vá embora... eu sei Que você tá passando por uma fase difícil no Mundo espiritual cara... eu sei que toda Adaptação leva tempo, mas você precisa me deixar... pelo menos aqui eu tô segura... entende? (cochichando no ouvido de Marvin) os caras de preto não conseguem entrar aqui... Elisa dá um sorriso insano. Marvin fica arrasado. E o dinheiro? E o nosso dinheiro? Marvin, eu tô sendo perseguida por um grupo de Caras vestidos de preto, além de estar sendo alvo De alguns aliens que eu não sei de onde vem e Você tá preocupado com dinheiro? (olhando fixamente nos olhos de Marvin) cara, você é muito egoísta! (gritando) Por favor Jesus, mostra pro Marvin que o dinheiro Não vai servir aí no céu! Por favor, Jesus! Marvin não tem mais palavras. Ele apenas observa, derrotado pela insanidade de Elisa. Elisa, eu quase me matei por você, aliás, eu Matei um outro cara que já tava morto por você, Eu vendi a minha arte pra você não ficar tão Louca e no final das contas tudo o que sobrou Foi essa sua desgraçada esquizofrenia?! Marvin está revoltado. Ele se levanta e sobe na mesa para sair pela janela da sala. Da próxima vez, não volta dos mortos pra reclamar Da vida comigo não tá? Já tô com problemas demais Pra ter que me preocupar de novo com você... o seu Caso agora é com Deus. (ironica) Ou seria com o diabo? Marvin pula a janela. 7 EXT RUA NOITE 7 Marvin caminha sozinho do lado de fora do manicômio. Ele está sem rumo, sem saber o que fazer. Ao olhar a sua volta, ele decide se sentar na calçada, do outro lado da rua. 8 EXT RUA/CALÇADA NOITE 8 Marvin está sentado, pensativo. Ele está mais derrotado do que nunca. Quando ele menos espera, surge Monet, seu cachorro, abanando o rabo e feliz em reencontrar Marvin. Oi. Feliz em me ver? Monet dá um latido simpático. Marvin dá um sorriso de canto, tentando se sentir melhor. Ele faz carinho na cabeça de Monet. Monet se senta ao lado de Marvin, quieto, e assim como seu dono, fica a observar a movimentação mórbida do manicômio. No fundo os dois sentem falta de Elisa. Um HOMEM VELHO, maltrapilho, usando óculos esporte escuro, se aproxima dos dois, pedindo uma esmola. Marvin dá uma moeda que acha em seu bolso. O Homem agradece e vai embora. Porém logo em seguida ele pára e se vira para Marvin. Jovem... eu sei que não adianta nada, mas Eu posso recitar um poema que eu escrevi? Marvin acena positivamente. O velho então faz pose de intelectual. Um bêbado intelectual. Eu queria um dia de sol por essas bandas Mas sempre que faz sol, frita minha cabeça... Eu tô cansado de esperar tanta coisa bacana Daí eu olho as estrelas e penso em Deus E eu vejo que ainda tô vivo... Ó Deus, ó Deus... Um silêncio constrangedor entre eles. E aí meu jovem, gostou? Uma merda. Não desista. ok. Até mais ver! Marvin acena para o velho bêbado. Ele dá um beijo na cabeça de Monet e olha em seus olhos em seguida. Vamos esperar ela aqui, ok? Monet lhe dá uma lambida no rosto. Os dois ficam olhando pro manicômio, esperando por Elisa. Quinta-feira, Agosto 11, 2005
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Eles querem destruir nossas vidas de novo...
Não se discute se o presidente sabia ou não do dinheiro. Se souber, não é algo que vai me deixar muito surpreso nem nada. Mas não vai deixar de ser uma coisa meio frustrante. É ruim imaginar que você vota num homem que você acredita nos seus sonhos mais fantásticos que irá colocar ordem na casa, fazer um governo sem sujeira, fazer o país crescer, etc. Não deve estar sendo fácil para o Lula viver isso tudo. Para mim já é difícil ver o presidente passando por isso sem poder fazer nada... Se ele tiver participado do esquema de mensalão ou coisa do gênero, eu não vou culpá-lo. Não que ele esteja certo, mas será que algum filho da puta do PFL, PMDB ou PSDB tem a coragem de dizer que seus partidos são "limpos"? Será que algum deles tem esse direito? Ora bolas, não sejamos tão estúpidos a ponto de acreditar que o PT seria o partido mais ético do mundo, até porque como tem sido o partido da moda na última década, que mais cresceu, atraiu todo tipo de sanguessuga, vagabundos, mentirosos, salafrários e hipócritas. Ninguém está livre disso. Mas ver a rede Globo hoje tentando derrubar o Lula é doloroso demais... Mais uma vez nosso país está prestes a ir parar nas mãos de assassinos como ACM e toda aquela corja do PSDB. Se isso acontecer, vai ser o nosso fim... Se o objetivo principal hoje nesse país cheio de moralistas de fachada é punir o PT por ter desviado 150 milhões, então acho que devemos também começar a apurar o "desvio" de 800 milhões do BNDS para a Rede Globo urgentemente. Que eu saiba, 800 milhões são muito mais que 150 milhões! E a Rede Globo vai sair impune? Se o PT merece cair, por que a Rede Globo não merece também?! Por mil malas cheias de dinheiro!!!! A Globo merece cair sim! Ela foi uma concessão "dada" ao capeta Marinho oras! Precisamos ser honestos, não é? Então vamos colocar todo mundo da Globo atrás das grades, de preferência, junto dos Petistas e dos Pefelistas! E não podemos nos esquecer de nosso excelentíssimo ex-presidente Fernando Henrique Inescrupuloso (com a piada a la casseta e Planeta..), que vendeu cada centímetro do país aos gringos e nos últimos anos foi morar na França, dar aulas para jovens de primeiro mundo (já que só conhece esse mundo de verdade...), e agora tem a audácia de voltar e usar a Rede Globo quase que semanalmente para criticar o presidente Lula, sem que sequer o processo de CPI esteja concluído! Só para lembrar um detalhe: FHC foi exilado (será que foi mesmo?) no CHile, voltou como merda (compatível com seu caráter), virou economista e um belo dia fez um tal de plano Real, um plano como qualquer outro, que nos anos 80 teria se esfacelado da noite pro dia, mas que acabou nos dando a falsa sensação de poder econômico nos anos 90. Segundo FHC, nunca existiu inflação em seus dois nefastos governos, mas que me lembre, a passagem de ônibus custava 40 centavos em 1994 e em 2002, na sua saída, custava 1,50. Um pequeno aumento de 400%, certo? Nada demais... Com esse plano, ele virou estrela adorada pela Rede Globo da noite pro dia e BUM! Esse é "o" homem que o Brasil precisa! Virou presidente. E que MERDA de presidente... Só boçais imbecis ao extremo podem ter o atrevimento de dizer que FHC foi macho de verdade... (por favor Boçais, retirem-se deste site calmamente e sem alarde...) LULA falava em megafones para operários desde 1974 ou antes, não sei ao certo... Foi "currado" pela Rede Globo durante sua vida diversas vezes, roubado em 3 eleições, e agora está sendo acusado de ser um ladrão de 150 milhões. Viveu os anos 80 em ascensão política, bateu de frente com todo mundo, virou herói, exemplo a ser seguido e que eu saiba, não foi "exilado". Se foi, perdoem minha ignorância, mas deve ter voltado muito rápido... A Julgar pelos Currículos, prefiro o segundo. Ambos já estão meio velhos, numa idade inadequada para o mercado de trabalho, mas escolho o barbudo. Ele terá o meu apoio sempre. Se você boçal não tiver ido embora do site ainda, vou te perguntar uma coisa: está satisfeito com seus serviços de luz e telefonia? Está satisfeito com o preço da gasolina que coloca no seu carro popular comprado com dinheiro que seus pais sonegaram de suas empresas pseudo-evoluídas? Está satisfeito com os impostos que a empresa pseudo-evoluída dos seus pais tem que pagar todo ano e que os levam a atitudes sonegadoras? está satisfeito com o sistema de saúde, com os preços dos planos de saúde? está satisfeito com o sistema de transportes que temos hoje? E quanto a imensa fronteira hipócrita que te separa daquelas favelas a 1 Km da sua casa? Bom, pode agradecer ao FHC. Foi tudo obra desse presidente competente e bem intencionado que governou o Brasil em duas ocasiões (sendo sua reeleição uma das maiores manobras corruptas que já existiram no país, onde cada parlamentar que votasse a favor de sua reeleição recebia cerca de 1 milhão de reais. E ele teve uns 300 votos a favor...) Então, na boa, se estamos sendo fodidos pelo PT, não nos esqueçamos que o PFL, PMDB e PSBD já fazem isso com a gente desde 1500, quando nem tinham esses nomes ainda... Façamos um pacto: Não vamos votar nem no corrupto PT e nem em PFLPMDBPSDB (eles são uma coisa só né...). Por que não votamos em algo novo? Vamos propor Heloísa Helena para presidente! E como golpe de marketing, vamos sugerir João Gordo para vice! Olha que dupla genial seria essa! Vamos passar essa idéia a diante e buscar um rumo de verdade pro nosso país, ou melhor, pras nossas próprias bundas... quer dizer, vidas... JOÃO GORDO PARA VICE! Quarta-feira, Agosto 03, 2005
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Congelei meu corpo. Me descongelem em 2178.
Está na hora de parar e refletir um pouco. Este ano não tem sido fácil. Talvez tenha sido um fácil que se tornou difícil. Eu agora caio de escadas, cometo erros de ortografia, destruo vidas alheias, coloco confusão na cabeça e nos corações das pessoas, e na fúria das horas vou minando minhas chances de conseguir as coisas que quero. Desordenadamente vou construindo um grande castelo, sem portas, com paredes falsas, escadas de areia, criadas a partir de uma matemática que só eu entendo. Então tomei uma decisão: vou congelar meu corpo por tempo indeterminado. Na verdade tem tempo determinado sim. 173 anos. Por que? Não sei. Mas 2178 me parece uma data interessante pra voltar ao mundo dos vivos. Preciso que esta geração passe logo e que eu acorde em outra época, sem nada que me lembre quem eu sou ou de onde eu vim. Em 2178 o Rio de Janeiro nem vai mais existir. Será um grande pólo turístico de mergulho da costa Brasileira. As pessoas vão mergulhar de grandes navios ou passear em submarinos gigantes feitos de vidro e o guia irá mostrar o que um dia foi o Cristo Redentor, agora tomado de água por todos os lados, as favelas, um conglomerado de casebres que serão moradia de tubarões e o mais estranho de tudo: as praias da zona sul, agora apenas longas extensões de areia no fundo do mar. De um lado os edifícios da Avenida Atlântica e do outro apenas memórias. 2178 será o ano da minha redenção. Por isso deixo este pedido na eternidade de um tempo que eu espero que não me deixe passar. Deixo um pedido de clemência em favor de todo o medo da vida e da morte que domina. Ao congelar meu corpo, não vou enfrentar nenhuma delas. Me preocupo com uma coisa: os sonhos. O que será deles? O que irá acontecer com uma mente que durma 173 anos seguidos? Se Freud dizia que era uma maneira de colocar pra fora as coisas insuportáveis do cotidiano, qual será a função dos sonhos então? Sem cotidiano, sem sonhos. Sem sonhos, nada. Rumo ao futuro, lindo, fantástico e inacreditável. Só em 2178. Quarta-feira, Julho 27, 2005
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Estudantes de cinema também morrem em acidentes trágicos
recapitulação; síntese; conclusão; remate; fecho. "RIO - O estudante universitário Alexandre Nogueira, de 35 anos, morreu atropelado esta noite durante a filmagem de um curta-metragem produzido por alunos do curso de cinema da universidade Gama Filho, na Rua General Bruce, em São Cristóvão. Segundo Marcelo Mattos, amigo da vítima e diretor do filme, Alexandre e outra estudante identificada somente como Érica foram atingidos por uma caminhonete Toyota. Eles foram levados para o Hospital Souza Aguiar, no Centro. Alexandre não resistiu aos ferimentos." Este post não tem o objetivo de chegar a nenhuma conclusão. Não tem moral, não tem conclusão. O nome provisório do curta-metragem era "epílogo", mas como poderia haver um epílogo provisório? Existem epílogos provisórios? Nessas horas eu me vejo deitado na cama rindo escancaradamente como Donnie Darko ao saber que vai morrer mas que conseguiu salvar o mundo. Esta noite eu venci. Eu morri, mas venci. Assim como nos filmes de Robert Altman ou de seu sucessor, Paul Tomas Anderson, há uma ironia na morte, há algo que não pode ser entendido. Está na alma de cada artista. Está na arte da vida, e sim, está nas coisas que jamais poderão ser explicadas. Quando você começou isso Você conseguiu o que queria Agora você mal consegue suportar Você está certo de que existe uma cura E que você finalmente encontrou ela. Você pensa que um drinque Vai encolher você, até você quase desaparecer Prepare uma lista do que você precisa Antes que a morte venha te buscar Porque isso não vai parar Isso não vai parar Até você se tocar" Wise up, Aimee Mann Domingo, Julho 17, 2005
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"O Brasil está no rumo certo..."
![]() Está se criando no Brasil uma sensação de revolta com a riqueza dos outros. Parece que agora, todo mundo resolveu ficar muito puto por terem inventado um shopping para milionários esnobes fazerem suas compras sem ter de se misturar a ralé. Primeira consideração: a mídia está fazendo de tudo para manter esta loja nefasta nos noticiários, motivada talvez pela prisão de sua dona que sonega impostos e mais impostos. De certa forma isso soa meio inexplicável, mas é bastante irônico. Parece que a criação de um shopping tão absurdamente esnobe e altíssimo nível onde somente multimilionários top top podem comprar, criou em muitos jornalistas uma sensação de esmagamento social. Isto porque em muitas cidades do Brasil, já existiam shoppings extremamente elitistas, em que ao entrar neles, você já era observado da cabeça aos pés por todo e qualquer funcionário, julgando sua capacidade financeira. Um bom exemplo disso é o shopping fashion Mall, no bairro de São Conrado, no Rio de Janeiro. Localizado a 300 metros da Rocinha, este shopping sempre fez de tudo para afastar todo e qualquer favelado fodido de suas dependências, colocando apenas filmes "pouco comerciais" em seus cinemas, proibindo a entrada de lojas de departamento populares e até mesmo fechando, acidentalmente ou não um fast-food "Bob's" que lá existia. Ali já havia uma barreira social gravíssima que só servia para mostrar o quanto nosso país isola os pobres e resguarda os ricos. Por que nenhum jornalista jamais reclamou de shoppings assim? Por que preços na faixa dos 3, 4 dígitos por uma gravata jamais chocaram a "sociedade" antes? Eu acredito que não chocaram porque os jornalistas podiam e podem pagar esses preços. Era algo aceitável, pois eles estavam ali, inseridos num contexto onde se sentiam parte da alta sociedade sem se sentirem escrotos. Quem não tem um exemplo parecido para dar em sua cidade? Parece que agora que a Daslú chega com seus preços de 5 dígitos, todos os jornalistas assumiram uma posição de defensores do povo, como líderes revolucionários que pretendem acabar com o capitalismo e promover a "reforma agrária" da deformação social. É a velha máxima de que só dói na própria carne... Segunda consideração: os ricos são culpados por serem escrotamente ricos? Esta é uma questão que diverge opiniões. Eu me decepciono com pessoas que só enxergam até esse ponto. Por que só podemos ficar revoltados contra a pobreza de 60 milhões de pessoas quando descobrimos que uma roupa 100% algodão pode custar dez mil reais? Será que a Daslú surgiu do dia pra noite? Não. Ela já existia há muito tempo e ninguém nunca se preocupou com isso. Foi preciso que se abrisse uma loja de 17 mil metros quadrados bem na cara de todo mundo para que se sentissem ligeiramente "excluídos". Não acho que valha a pena criticar a passividade dos pobres e sua incapacidade de protestar e reclamar. Me choca sim a passividade da classe média, que sabe que nunca vai ser rica e só quer se preocupar em não se tornar pobre e entrar pro clube dos 60 milhões de esfomeados. Ou a classe média alguma vez ameaçou reclamar dos constantes desvios de dinheiro público que acontecem todos os dias nas prefeituras e orgãos públicos? Obviamente não, pois é a própria classe média que está ali dentro desviando 2 mil aqui, 5 mil ali, etc. Quem corrompe e é corrompido, em qualquer esfera da sociedade se torna cúmplice do caos. Desde o suborno ao guarda de trânsito até o favorecimento em pequenas licitações, passando pelo nepotismo, todos somos culpados por esse caos. Não estamos fazendo muito diferente dos ricaços de 5 dígitos. Eles roubam sonegando. Nós roubamos desviando e nos corrompendo mutuamente. Então por que reclamamos? Alguma vez nos juntamos na frente das prefeituras para fazer "Panelaços"? Indo mais além, algum de nós já pegou seu vizinho político ladrão e lhe deu uma surra por estar revoltado? E o que dizer daquelas patricinhas da sua faculdade, que são filhas de fiscais do Inss ou da receita federal e aparecem com carros de 80 mil, que ganharam no aniversário? Alguém já parou pra se preocupar com isso? Alguém já parou pra pensar que uma pessoa que recebe 5.000 de salário não pode dar um carro de 80 mil pra filha? Acho que não. Todo mundo faz vista grossa né... Quem nunca molhou a mão de um policial pra não receber uma multa salgada ao invés de denuncia-lo por tentativa de extorsão? Até eu tive que molhar uma vez... Quem sou eu então? nem um pouco diferente de vocês. Eu não gostaria de ser assim. Queria ser mais ético, mais sensato, mais objetivo, queria querer ser consciente o tempo todo e não me preocupar apenas com as coisas que eu sei que vão me beneficiar, mas também aos mais pobres, ainda que estes estejam completamente alheios aos que roubam eles e os fazem escravos do chamado "capitalismo selvagem". Acho que os ricos não tem culpa de serem tão ricos. Eu não posso comprar uma camisa de 10.000 reais, mas sempre compro camisas de 100 reais, e bem, tem famílias inteiras que vivem com 90 reais o mês todo. É tudo uma questão de proporção. 10.000 pra mim é muito, mas 100 reais pra pobres miseráveis também é muito. Um salário mínimo de 300 reais num país com as riquezas que este tem, é uma porrada dolorosa na cara de muita gente. É a certeza de que estamos muito, muito atrasados. Ser o segundo país com a pior distribuição de renda do planeta não é algo que nos faça sentri orgulho... Terceira consideração: Vamos lutar contra os verdadeiros vilões que criam esse grande puteiro de proporções continentais? Vamos parar de buscar nos outros a culpa por nossa passividade, nossa enorme e vergonhosa omissão perante as pessoas que detém o poder, que nós damos ao comparecer as urnas. A Daslú é culpada? É! Mas também é a Globo! E o ACM também! E as concessões públicas dadas também são a vergonha que sempre vai me fazer sentir terrivelmente pequeno, num país tão grande. E nossa hipocrisia é maior ainda, e é mais vilã que qualquer ricaço, que qualquer sonegador, qualquer jornalista ladrão, publicitário sujo, contador podre. É a nossa hipocrisia que fabrica tantas mortes, tanta revolta. É a vontade de se tornar um mísero funcionário público e sonhar com dias de corrupção melhores que nos faz tão falsos e omissos. No dia em que formos as ruas, colher assinaturas de 70% dos 180 milhões de Brasileiros para cancelar imediatamente as concessões de todas as emissoras de tv e rádio, que nos propusermos a pegar em armas caso seja necessário, que aceitarmos o fato de que em toda revolução alguns padecem, outros seguem firmes, e no final, poucos dos que lutaram conseguem ver o resultado já que este pode demorar muitos anos, talvez aí, estejamos realmente a caminho de algum lugar. Não será um metalúrgico barbudo que vai mudar o curso da nossa terrível história medíocre, mesmo tendo boas intenções. Por mais clichê que possa parecer, precisamos ter a vontade de defender a vida das pessoas que não tem ninguém olhando por elas. Ao mesmo tempo, estaremos defendendo o que é nosso. O Brasil não pode pertencer a tão pouca gente. Se o nosso problema fosse a Daslú, se para acabar com a nossa desigualdade social bastasse apenas acabar com a Daslú, poderiamos explodi-la facilmente. Mas não é. Nosso problema é da cultura. E a cultura acaba penetrando na alma de todos, tornando-os cada vez mais vazios e sujos. É muito, muito provável que aqueles ricos não sejam o problema no Brasil. Nós somos o problema. Domingo, Julho 10, 2005
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Você já está se preparando para o fim?
Nós temos vivido em constante angústia. Não sabemos ao certo que rumo tomar. Temos medo de dormir, porque os sonhos já não são seguros. Eles apenas se repentem sem parar. Existem centenas de religiões diferentes e eu só quero saber: Será que existe alguma que não prega o fim? Porque eu preciso de motivação para viver e seguir firme! Por que será que todas as religiões pregam o fim? Quantas vezes já fomos ameaçados pelo poder divino, que viria para nos castigar? Eu já perdi a conta. Diziam que o mundo iria acabar no ano 2000, e não acabou. Diziam que ia acabar em 1900, e também não acabou. Todos têm algo a dizer. Alguns dizem que a bíblia foi a melhor obra de ficção já escrita. Eu rio, mas ao mesmo tempo, penso que podem estar certos. Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra, e eu acho que este é um bom motivo pra continuar vivendo. Nós estamos tão doentes pelas coisas que fazemos, pelo mal que propagamos por aí, nos fazendo de vítimas e esperando que Jesus volte pra nos dar um abraço carinhoso, que esquecemos de viver, no sentido mais simples da palavra. Se isto for verdade, lhes digo: preparem-se. "Hercólobus é descrito como um astro seis vezes maior que o planeta Júpiter, o maior planeta do sistema solar. Ele se move numa órbita achatada, que a cada 3.600.000 anos passa pela Terra, arrastando com ele tudo que encontra. Por seu tamanho soberbo, Hercólobus gera um estupendo campo gravitacional. Assim, mesmo sem colidir com nosso planeta e mesmo estando a 500 mil quilômetros de distância, sua presença causará transtornos fenomenais. Tal aproximação o fará refletir a luz do sol, fazendo-o ser visto como um segundo sol durante sete dias em diversas partes do mundo, em pleno meio-dia.Segundo interpretações das profecias e cálculos astronômicos, a mera entrada de Hercólobus no sistema solar causará um tsunami (uma onda gigantesca no mar, que alcançará cerca de cinco quilômetros de altura), além de movimentos tectônicos e terremotos, devidos à vibração e à energia que se produzirá pela atração de Hercólobus sobre a Lua. A rotação dos eixos da Terra será acelerada violentamente e os pólos serão Equador e parte do Equador se tornará pólos" Hercólobus, supostamente fotografado: ![]() Todas essas lutas, todas as revoltas, não terão servido de nada. Mas provavelmente ainda vale a pena lutar. Contra tudo de ruim que estiver por aí. Acredita-se que um terço da população terrestre será salva e apesar de viver num mundo pós-apocalíptico, será guiada por Deus e ajudada por naves vindas de outros planetas. Eu não sei bem o que pensar. De qualquer forma, vou achar terrivelmente engraçada essa situação toda, se eu acordar e descorbrir que estou no dia primeiro de janeiro de 2017, já que eles dizem que até 2016 tudo isso que nós conhecemos como "lar" vai acabar. E no final das contas, os únicos beneficiados com a onda de cinco quilômetros de altura serão os surfistas que gostam de ondas alucinantes do Havaí. Eles terão uma morte redentora. Mas, e se nada acontecer? E se sobrevivermos a tudo isso? E se descobrirmos que foi tudo mentira, mais uma mentira inventada por aqueles que não tinham idéias melhores para nos impactar com algo que nos fizesse repensar nossa existência? Poderemos ser atropelados amanhã de manhã na porta de casa. O lustre da sala pode cair na sua cabeça, sua gravata pode te enforcar, voce pode morrer fazendo sexo, pode desmaiar quando estiver esperando o metrô e cair nos trilhos, pode tomar um tiro no trânsito de algum garoto de 8 anos de idade, que você fingiu nunca ter visto durante os 8 anos em que você parou naquele sinal, seu carro popular pode explodir do nada, seu chuveiro elétrico pode te dar um choque no momento em que você estiver tomando banho, você pode morrer quando estiver escrevendo um texto pro seu blog, pode vomitar dormindo e morrer engasgado, pode dormir e não acordar mais. A única coisa que fica clara é que o medo nos impede de agir. Estamos com medo, buscando uma forma de estabilização que dure 11 anos, para que possamos ver se tudo não passou de uma piada. E nesses onze anos, o que seremos? O que faremos de nossas vidas? Segunda-feira, Julho 04, 2005
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Considerações sobre os minutos seguintes a
terrível experiência de constatar que jornalistas inscrupulosos dominam o Brasil e que o demônio Roberto Marinho morreu tarde, muito tarde... ![]() Roberto Marinho, pai da TV brasileira, não por ter colocado-a no mundo, mas por tê-la roubado na maternidade, foi o tipo doce e gente fina. Há alguns dias li o relato de uma menina que derrubou uma lata de lixo no pé dele num evento no Jóquei Clube do Rio de Janeiro e o bom velhinho a ajudou a catar o lixo e colocá-lo de volta na cesta. A menina nem sabia que era o Roberto Marinho. Este anticristo governou o Brasil durante 4 décadas, praticamente definiu o rumo da nossa história ao lado de alguns riquinhos que tinham como hobbie a política e o favorecimento uns dos outros, seguido pelo gosto por ver 50 milhões definhando nas favelas e no interior. Acabei de assistir ao documentário "Muito além do cidadão Kane", produzido pelo Channel Four da Inglaterra, que foi lógicamente barrado no Brasil já que imagino eu, nenhuma distribuidora e sã consciência quis distribui-lo. É um documentário simples, com cara de TV mesmo, sem nenhum recurso gigantesco nem nada, se utilizando de nomes de peso como Chico Buarque, LULA (o LULA que ainda tinha cara de metalúrgico mal encarado e não tinha virado escravo da Globo) e mais uma porção de gente que trabalhou na globo ou assistiu de mãos atadas as suas manobras para dominar o Brasil, ou podemos dizer, destruí-lo. Como eu já disse em outra oportunidade, fico consternado ao ver a capacidade que o ser humano tem de se tornar cruel e podre com o passar do tempo. Não sei se isso é fruto da nossa natureza, mas no caso desses caras é inacreditável, pois o cara sempre teve dinheiro e era formado em jornalismo! Sim, jornalismo! Aquela profissão que na teoria deveria ter uma puta ética e se comprometer em falar a verdade pras pessoas, sem lavagem cerebral, etc. O que mais me chamou atenção no documentário não foi a revelação das grandes manobras políticas do Dr. Roberto (ele era médico por acaso..?), mas sim as imagens que mostram os apresentadores Cid Moreira, Sérgio Chapelen e Alexandre Garcia apresentando algumas notícias durante os anos 70 e 80, quando trataram de encobrir jornalísticamente alguns acontecimentos. Fico embasbacado com a capacidade que algumas pessoas tem de vender a alma pro capeta (leia-se Roberto Marinho) e ainda assim, continuar exercendo sua profissão com a maior consciência limpa, a maior calma do mundo, sem nem considerar que podem ter selado o destino de milhões de seres humanos, mesmo que indiretamente. Triste ver que as decisões de uma pessoa podem influenciar o destino de tantas milhões. E mais triste ainda, compreender que no Brasil dos últimos 10 anos se criou uma adoração popular por Silvio Santos, como se fosse este, uma alternativa a Globo. Simplesmente é mais um que está aí, vivo, e que ganhou concessão do governo militar pra não dizer a verdade sobre o massacre que estava ocorrendo contra o povo. Não me surpreende que o Silvio Santos do pós-morte de Roberto Marinho tenha se isolado e perdido a vontade de batalhar pela atenção. A questão não é e nunca foi o povo. A questão era conseguir vencer o imbatível se fazendo passar por guerreiro dos oprimidos, rei da baixaria popular. Amigos, eu sou tão alienado quanto vocês, mas me dei uma chance de assistir este documentário. Acho que ele pode lhes esclarecer muitas coisas, e pode confirmar outras. Tentem se dar uma chance de assisti-lo. Pode ser útil. Quem sabe não nos tornemos guerrilheiros modernos viciados em MSN, orkut e Fifa 2005? Sábado, Julho 02, 2005
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Já parou pra pensar que seus últimos amigos
do orkut podem estar mortos? Sim, é isso mesmo. Toda vez que você entra no orkut, a sua página principal exibe 8 amigos. E essa exibição não é aleatória, mas pela ordem de acesso ao orkut. Quanto mais recente foi o uso do orkut, ela vai aparecendo nas primeiras posições da sua lista. Mas eu me pergunto: e aquelas que ficam lá no final, que não são atualizadas jamais? Levando-se em consideração que o orkut virou um hábito quase fisiológico, essas pessoas ou são extraterrestres ou estão mortas. Isso mesmo! Mortas! Para provar esta minha teoria, criei uma fórmula matemática física quântica que nos permite ter a dimensão do caos que o orkut poderá se tornar dentro de 10 anos. País onde você vive | | Tempo <==== ORKUT ====> Número de amigos orkutianos | | Políticas Sociais do Governo Vigente Esta relação mostra que o tempo que você é usuário do orkut e o número de amigos que você tem na sua lista, são fatores decisivos pra que possivelmente ao menos um deles já esteja morto e você não tenha se dado conta. O país onde você vive e a política social vigente também são variáveis que devem ser levadas em consideração. Agora a questão mais grave de todas. Prestem bem a atenção! O que vou dizer é histórico e definitivo! Eis a questão: Imaginem um mundo devastado por guerras, doenças e todo o tipo de tragédias, com pessoas famintas, destruídas, milhões de corpos expostos nas ruas arrasadas do planeta, em decomposição, desmembrados e apodrecidos. Pois bem, é exatamente isto o que vai acontecer com o Orkut. Dentro de 10 anos, o quadro orkutiano será tão grave, que você poderá estar navegando em busca de um perfil feminino pra dar uma cantada e arrumar uma transadinha pro fim de semana, que possivelmente irá cantar alguma garota que já tenha morrido! Sim, isto mesmo! A quantidade de usuários do orkut que estarão mortos em 10 anos será tão assustadora, que irá desenergizar a alma de todos que estiverem vivos. E será o início do fim. SIm, eu falo exatamente isso: O Orkut é um mundo pré-apocalíptico, onde você vai se deparar com fantasmas o tempo todo, e irá se arrepender de ter entrado neste site pro resto dos seus dias. Milhões de perfis mortos, pessoas mortas, e o pior, sem nenhuma possibilidade de serem apagados, já que só o morto tinha a senha do perfil. E mais ainda, sem a possibilidade de serem enterrados, como fazemos aqui no nosso mundo concreto. Deus tenha piedade de nós. Sexta-feira, Julho 01, 2005
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Vou convidar Suzanne Von Richtoffen pra sair. Ela foi solta...
![]() Hoje eu comemoro o dia da soltura (é assim que se escreve mesmo..??) de Suzanne, a menina rebelde que o país conheceu depois de pedir ao namoradinho pra dar umas marteladas na cabeça dos próprios pais... Eu ficava olhando pras imagens dela e pensava: - Ó céus, o que levou uma menina tão saudável como essa, com cabelos tão bonitos e bem cuidados, bochechas modeladas a ferro e lábios tão puros a cometer tal atrocidade? Mas é verdade, elas cometem sim... as pessoas são meio sozinhas e não sabem lidar com essas coisas... Suzanne sempre me pareceu mais vítima do que vilã, como uma criança que ainda não sabe que se pisar no pintinho amarelinho miudinho, ele explode (ploft!). E talvez por isso mesmo ela tenha matado os pais. Uma incapacidade de percepção da realidade, algo assim. Deve haver alguma explicação séria e bacana pra esse tipo de coisa, pois nada justificaria matar os próprios pais. A cada ano que passa, eu percebo que não estou me tornando os meus pais. Eu vejo que já sou eles! E vejo o quanto da insanidade deles há em mim, mesmo que eu a rejeitasse. A diferença me parece ser a capacidade de criar algum senso de responsabilidade por ter colocado alguém no mundo. Só isso. Meus pais tinham a minha idade quando me tiveram. Já pararam pra pensar que no caso de vocês também deve ter sido assim? Suzanne é o centro dos meus pensamentos hoje. A doença que me acometeu nos últimos meses me incapacitou de viver algumas coisas de modo pleno e me deu a certeza de que eu nasci para legitimar outras. A vagabundagem convicta é uma delas. Mas não uma vagabundagem no sentido de não fazer nada, pois aí eu seria um imprestável. É uma vagabundagem ideológica mesmo (leiam o post anterior!). Suzanne passou um bom tempo na cadeia, deu aulas de inglês lá dentro, fez terapia, provavelmente entendeu que não é muito legal dar marteladas na cabeça de nenhum ser vivo, deve ter aprendido o valor da solidão e dos sonhos, caminhando lado a lado. Tento imagina-la pensando num fim de tarde de domingo sozinha em sua cela, no fato de que era uma menina rica e depois de uma noite de pesadelos que ela sempre vai querer esquecer, perdeu os pais e viu seu irmão ser enviado para tratamento mental em uma instituição feminina do interior de São Paulo. Suzanne deve ter pensado naquela tarde de domingo em coisas como "lar" e "família". Ela deve ter se lembrado de quando era uma menina pequena e seu pai lhe cantava alguma canção para que ela dormisse, ou dos piqueninques dominicais, almoços em família, dos abraços, do dinheiro que nunca havia lhe faltado, etc. Creio que Suzanne esteja pronta para sair. É hora de recomeçar. Existem pessoas que matam uma borboleta e não se arrependem nunca. E tem aquelas que apertam o gatilho de uma arma e se arrependem no minuto seguinte. E eu me pergunto: e se houvesse uma chance, uma única e perfeita chance de não ter apertado o gatilho? Será que tudo teria sido diferente? Será que se Suzanne não tivesse matado seus pais naquela noite de ódio, teria lido algum poema ou algum conto de Lygia fagundes Telles e teria tido um poderoso Insight sobre a vida e morte, sobre passado e futuro? Será que teria sido despertado o lado mais sujo, podre e cruel dessa menina, deste ser humano delicado e feroz? Todos temos um lado tão podre que deveríamos nos envergonhar. Mas temos um lado tão bacana e nem mesmo somos capazes de usar isso. De quebra, quando o usamos, ninguém nos elogia. Vou ver se chamo Suzanne Von Richtoffen pra sair por aí, dar umas voltas. Vou mostrar pra ela as coisas que mudaram enquanto ela esteve fora... E nós, sempre seremos lembrados por nossos erros... Sábado, Junho 25, 2005
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Nosso exército tão estranho...
![]() Somos estranhos. Sim, somos estranhos. E nos orgulhamos disso. Esta é uma noite de sexta-feira, e eu estou em casa, assistindo ao desenho animado do Super Homem da cara queimada. É uma obra prima. Do criador desse monstrinho aí da foto, o Salad Fingers, provavelmente o melhor desenho animado desde Caverna do Dragão. Estou orgulhoso por constatar que a minha vida é tão escrota quanto a do Charlie Kaufman, que mesmo nadando no dinheiro e fama não se entregou aos delírios da rede social que abastece nossas cidades de micareteiros, playboys frequentadores de baile funk e mulheres sem personalidade que topam qualquer coisa contanto que seja dentro de um Audi. A vida tem me mostrado que eu não sou absolutamente nada, e na insignificância da minha existência, percebo que posso quase tudo o que quero, porque eu não espero mais nada de ninguém e nem de mim mesmo. QUando não se têm muito a perder, você começa a ganhar sempre. Eu posso dizer que sou um homem quase completo. Eu tenho um bom computador ligado a internet 24 horas por dia, um amplificador, uma guitarra, uma Tv de 29 polegadas e uma máquina fotográfica simpática, com a qual eu vou registrando em pretoe branco a minha vida, seja lá o que esteja significando. Sou quase-completo porque me dei conta de uma coisa que me falta, uma coisa que todo mundo acaba percebendo um dia que lhe faz falta. É um momento de mudanças, um momento em que as pessoas amadurecem e descobrem que lhes falta algo muito sério, algo que passa a acrescentar muito as suas vidas, algo que vai ser tomado pela alma e jamais sairá de lá, uma coisa única e definitiva. Eu preciso, realmente preciso de TV a cabo. Com esta constatação, eu me despeço ao som de Doves-Valley. Sexta-feira, Junho 24, 2005
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Olhem isso...
Tem coisas que você vive a vida inteira e acha que nunca vai ver. Isso foi foda. Meus parabéns aos aproveitadores baratos que tiveram essa idéia genial. Tenho certeza que muitos brasileiros mal informados alienados desligados vão adicionar ao seu carrinho de compras esse produto, junto de DVDs como "Tomates verdes fritos", "Armaggedon" e "Sociedade dos poetas mortos". http://www.submarino.com.br/dvds_productdetails.asp?Query= ProductPage&ProdTypeId=6&ProdId=731585&franq=124979 É uma espécie de compensação que o babaca que estiver em casa vai fazer pra se sentir menos babaca por não saber das coisas que acontecem por aí enquanto ele está sendo um babaca em casa. Enfim, bom divertimento pra todos. Pepe Post vomitado ao som de Interpol - hands away. Quarta-feira, Junho 22, 2005
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E o inverno chegou...
Foi com grande felicidade que pude constatar que o inverno havia chegado na tarde de ontem, sob um céu cinza e um clima gelado. Foi também com amigdalite e com a carne interna da boca viva após horas e horas comendo-a por alguma ansiedade dessas da vida, que eu parei para refletir sobre o significado do inverno na minha vida. Inverno de 1998 abandono meus estudos burocráticos matinais em busca de isolamento, silêncio e uma forma de frear a raiva e a angústia de um tempo doente. Noites a fio assistindo clássicos do cinema para finalmente descobrir que a resposta para o futuro estava na negação total das influências externas, aquelas que jamais irão fazer de você o que você gostaria de ser. Aquelas que transformam alguém em um ninguém. Inverno de 2002 eu morri pela primeira vez. Mas renasci após descobrir que Sheakspeare já havia morrido e deixado uma carta de suicídio para mim. Aquela, que ficaria famosa depois, com o título de "um dia você aprende". Inverno de 2003 as vezes, a vida soa engraçada... Certas pessoas dizem que só se aprende com os erros. Eu acho que já aprendi com os acertos também. Dizem que depois da tempestade, vem a calmaria. Eu não acredito nisso. A tempestade é constante. Quer fugir dela? Vá morar em uma chácara no interior do Mato Grosso. No meio da tempestade que antecedia minha vida e que viria a sucedê-la, algo muito próximo de uma experiência espiritual acontecia. Certas pessoas morrem sem acreditar terem tido uma oportunidade de ver o paraíso. Eu não posso reclamar disso. Eu vi. Eu estive lá. O lugar aonde nãoi havia conflito algum. Era a sua alma contra ela mesma. No meio do nada, sem nada por acontecer, é ali que você encontra o que estava buscando e descobre quem de fato você é. ![]() Inverno de 2004 o mais frio de todos. o mais vazio também. Quando você percebe a importância que existe em se controlar, em saber lidar com as pequenas angústias, com as coisas irreversíveis, doenças incuráveis, e então você acaba assim: ![]() O inverno é a melhor estação que existe, a mais linda, a mais representativa do espírito humano. Como dizem os nossos recém homenageados do "Interpol", é "um tempo para ser pequeno". A mtereologia diz que esse inverno vai ser em média 2 graus acima do último, mas eu não ligo. O inverno não é medido metereologicamente. Ele é espiritual. Está dentro de cada um de nós. Eu gosto da primavera e do outono também, eu gosto das cores. Mas o inverno é triste, vazio, ele é o que precisamos para continuar caminhando. E quando você estiver cansado, basta fugir um pouco. Sempre vai haver um edredon pra te proteger, e logo depois você vai ver que precisa sair de novo. É a nossa natureza. Somos caóticos. Preciso de um casaco Adidas Retrô. Alguém pode me dizer aonde comprar um? Este post foi patrocinado pela ABTED (Associação Brasileira dos teóricos existencialistas desocupados). Este post foi escrito ao som de Aimee Mann - One e K T Tunstall - The other side of the world.
Melhor banda de Rock do mundo
Eu presto esta pequena homenagem a banda que consegue me levar a lugares onde nunca estive antes. Músicas perfeitas, letras inacreditavelmente complexas e simples ao mesmo tempo, acordes que você escuta e depois pensa: Meu Deus, como eles conseguem criar essas melodias usando esses acordes e eu tento, tento e acabo decidindo assistir algum DVD por falta de talento melancólico... Eu preciso dizer o que Interpol significa pra mim. Preciso muito. Eles são o Mcgyver do Rock. Lembra quando o Mcgyver conseguia desarmar uma bomba atômica com um palito de fósforo, um chiclete e um pouco de saliva? Então, é isso que Paul Banks e Daniel Kesser fazem. Eles fabricam as doenças e os antídotos. É um processo contínuo que se renova, um ciclo sem fim. Preciso começar a fazer uso de álcool, cocaína, bilhar e prostituição urgentemente. Não posso falar complexidades. O que me importa são as coisas elementares. Preciso fazer rock. Terça-feira, Junho 21, 2005
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Estou cansado de ser Brasileiro...
Eu nunca me emocionei com o hino nacional sendo executado em competições esportivas. Muito menos com a bandeira sendo paparicada no 7 de Setembro. Não posso me considerar um brasileiro apaixonado e todo aquele blá blá blá básico de Galvão Bueno em jogo de copa do mundo. Eu sou um merda, básico, igual a todo mundo por aí, que só queria poder trabalhar feliz, ganhar em dia, fazer compras as 2 da manhã no supermercado, ter tempo pra malhar e ser saudável, etc. No fundo no fundo, pessoas como eu não querem tanto. Existir sem estressar nos faria feliz. Até porque o mundo vai acabar até 2015 né... Por isso eu fico sem entender essas coisas de política que acontecem por aí. Não existe nenhuma questão ideológica que move esses caras, é tudo financeiro mesmo. Agora o presidente finalmente está se fodendo por causa das pessoas que realmente mandam no governo. Temos a falsa ilusão de estar elegendo um síndico a cada 4 anos, aquele cara que vai colocar ordem na casa, unir os opostos, encontrar soluções geniais, comandar os milhões de famintos em busca de comida, etc. A gente até acredita quado eles lançam programas que dão dinheiro pra famílias que mantém seus filhos na escola, que distribuem cartões fome zero pros miseráveis e diz a eles que tipo de comida eles podem comer, sob ameaça de perderem tal direito. Terrível manipulação essa. E agora esse bando de senadores, deputados safados, políticos mentirosos, seres humanos sujos, ladrões engravatados vem a tona com essa estória de mensalão... Como se já não bastasse auxílio-terno, auxílio-moradia, auxílio-gasolina, auxílio-tudo, e mais aquele salário estratosférico, esses caras ficam puxando o tapete uns dos outros. E isso é que não dá pra entender. Como é possível que um bando de ladrões que só se diferenciam pelas legendas de seus partidos possam trocar acusações afiadas o tempo inteiro como se nenhum deles fossem realmente bandidos? É como se o fernandinho Beira-mar acusasse o Elias "Ninja" Maluco de ser muito violento. Em quem você acreditaria? Que posição tomaria? A minha posição é a do ódio. Eu odeio o José Dirceu, eu odeio o Roberto Jefferson, odeio o Delúbio Soares, odeio todos aqueles caras de terno que cobram do país depois de tudo o que o país fez por eles. Não consigo entender como é possível que caras de 40, 50, 60 anos mantenham o gosto por roubar, "estuprar" o dinheiro público. Que objetivo um homem de 60 anos pode ter em desviar 200 milhões de dólares da construção do TRT de São Paulo? Ele por acaso estava pensando em viver até os 250 anos? Que coisa mais triste, mais ilusória... Por que certas pessoas simplesmente não aprendem a "ligar o foda-se" e viver a vida? Pra que pisar nos outros? Como é que um cara desses consegue fazer churrascos aos Domingos com os netinhos se tem tanta gente que come a própria merda por aí? Eu quero acreditar no inferno. O céu já não me causa mais ansiedade. Pra onde eu vou? Eu não sei. Mas eu sei pra onde eles vão. Proponho um brinde a "Infernalização" da alma de cada político brasileiro. O pacto com o diabo está selado há tempos. Roberto Jéfferson, Garotinho, José Serra, Delúbio, Nicolau Neto, Alckmin, César Maia e ACM, o diabo é Sado-masoquista necrófilo psicopata e ele os aguarda com ansiedade. Morram. Morram. Morram. |